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Re: traduzir ou não, [Era Re: Fw: (ldp-br) apresentando-me]



"synthespian" <synthespian@uol.com.br> writes:
> 
> 
> Se traduzir vai fazer a identificação
> do problema ou da solução mais
> difícil, ao mesmo tempo tempo em que
> vai tentar forçar um significado em um
> objeto do léxico neolatino, ao mesmo
> tempo em que lhe estupra o
> significado, ao mesmo tempo que  reduz
> o campo semântico, ao invés de
> expandir o léxico, eu sou contra.

Oi synthespian.

Se traduzir vai causar a morte dos ursos polares então eu também
sou contra.

O que é "forçar um significado em um objeto do léxico neolatino"?

> Traduzindo: você vai usar uma palavra
> que ninguém usa, vai forçar um
> significado estranho para o que se
> usa, e não vai contribuir para o
> enriquecimento da língua portuguesa.

Traduzir não se reduz a legislar. Mas traduzir, é, também, legislar
sobre a língua.
 
> "Traduzir sempre" é uma opção
> inadequada, 

Concordo. Já reformulei. Leia abaixo o novo lema.

> e não encontra paralelo
> nas línguas modernas. O inglês tem 50%
> do seu vocabulário de origem
> neolatina. Por isso é mais fácil
> aprendê-lo do que o alemão; o qual o
> holandês pensa ser mais fácil.
>  
> Você não pode fugir do fato que é
> possível expressar o brilho de algo
> pelo seguintes verbos: beam, blaze,
> dazzle, flash, flare, flicker, glare,
> gleam, glimmer, glint, glisten, glow,
> radiate, scintillate, shimmer, shine,
> twinkle, etc...

Não posso fugir e não fujo: concordo. Mas não pretendo ter dito nada
que levasse a esta conclusão. Por vezes, dizemos coisas que não
sabemos que dizemos.

> O argumento é da
> coleção Bescherelle de francês...
> Você não pode ingorar o fato de que,
> em número de entradas, Webster X
> Huoaiss (ou Aurélio) o Webster ganha.

E o que isto mostra? Qual a relação com minha defesa do "traduzir
ou morrer"?

Me importa mais tuas conclusões do que os fatos
que descreves.
 
> O que você está propondo é uma atitude
> "à la francês". Dizer "télécharger",
> telecarregar, ao invés de download.

É isto mesmo. Os franceses são minha referência.

> Apenas, tenha em mente que você está
> traduzindo um documento para a
> coletividade, e não para impor sua
> visão de tradução. 

Tenho isto em mente. Por isto discuto publicamente a questão
nos locais adequados, como esta lista. Por isto traduzo com
o vocabulário padrão ao lado. Por isto uso, contra minha "visão
de tradução", shell, e não interpretador de comando. Porque
sei que faço parte de uma comunidade lingüística e que trabalho
para ela.

Mas sei, também, que não sou uma alface e tenho opiniões.
(Será mesmo que as alfaces não têm opinião :=)?)
Sei, também, que é bom expô-las publicamente, discutí-las,
reformulá-las ou não. Enfim, progredir...

> Como tal, você deve
> entender que o correto é "hambúrguer"
> e não "prensado de carne-moída." 

É mesmo? Por quê? Porque é o uso comum? Porque as pessoas
habituaram-se a falar hambúrguer (não seria hamburguer?)?
O hábito de uso de uma palavra sem tradução seria razão
suficiente para não traduzí-la? 

Não concordo com isto. Pois isto levaria, dado o princípio
do menor esforço, ao sumiço de nossa língua.

Estou inclinado a mudar de posição quanto ao "traduzir ou morrer".
Estou moderando. Agora é "traduzir, aportuguesar (se não tiver jeito)
 ou morrer".

Por que usamos mouse e não rato? Porque acostumamos. Por que acostumamos?
Porque não traduzimos, por preguiça muito provavelmente. E, agora, por que
não traduzimos? Ora, tu dirias, porque as pessoas já estão acostumadas.

Como tradutores, estamos num processo dialético com nossa língua, ao mesmo
 tempo que a usamos, a construímos. Enquanto tradutores não somos meros
usuários da língua, somos também legisladores. Minha sugestão é que não
nos furtemos de exercer esta função com a responsabilidade que, em minha
opinião, ela exige.

> Ainda
> mais neste campo em que a equipe do
> Houaiss está tão atrás do que sai na
> Internet...
> 
> Tampouco estou defendendo a
> superioridade do inglês. A língua
> portugesa é a mais rica em matizes
> verbais ("aspectos", para usar o termo
> técnico dos gramáticos) do que
> qualquer outra língua ocidental. Quem
> já estudou alemão sabe bem do que
> estou falando. A opinião também não é
> minha, é de um lingüista. 

Também não estou defendendo a superioridade de qualquer língua.
Esta é uma questão técnica. Estou defendendo a necessidade de
cuidarmos da nossa língua. Esta é uma questão ideológica.
 
> Enfim, um pouco de bom-senso é ótimo.

Concordo: é ótimo para encerrar uma discussão.
É o que tento descobrir, o tempo todo: o bom-senso.
Confesso que ainda não o encontrei (aliás, me parece que estou
cada vez mais longe disto). Me conforta, entretanto, o fato de
que o bom-senso seja o nome que se costuma dar para as
premissas num argumento sobre as quais não se quer (ou não se pode)
discutir. Afinal, temos uma vida para viver além das discussões
sobre as nossas posições.

Sim, um pouco de bom-senso é ótimo. Mas qual é o bom-senso?
O meu ou o seu?
 
> [ ]s
>  Henry
> 
>  

té+v

-- 
Marcio Roberto Teixeira

endereço eletrônico: marciotex@pop.com.br
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Usuário "tchê" Debian/GNULinux

Porto Alegre - RS - Brasil

"A vida é como uma boa prova escolar: é curta, com múltiplas escolhas."

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